quinta-feira, 21 de julho de 2011

SAFÁRI ILEGAL NO BRASIL


O vídeo(em inglês) encaminhado por um americano à Polícia Federal funcionava como um convite à caçada.


No Pantanal de Mato Grosso do Sul, onças e outros animais em extinção foram mortos por turistas brasileiros e estrangeiros. Cada um dos turistas pagava de US$ 30 mil (R$ 49 mil) a US$ 40 mil (R$ 64,8 mil) para praticar expedições de caça aos animais. Na ação desencadeada na noite de quinta-feira (5), a Polícia Federal descobriu que os caçadores se reuniam na fazenda Santa Sofia, localizada em Aquidauana (159 quilômetros de Campo Grande), de onde partiam os safáris. O lugar surpreendeu os policiais.

A dona da fazenda é a pecuarista Beatriz Rondon. Ela é ligada ao setor de proteção ambiental do Estado e presidiu a Sociedade para a Defesa do Pantanal, uma organização não governamental de defesa do meio ambiente. Além disso, ela conseguiu com que a fazenda fosse reconhecida como uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Nesta categoria, ela é obrigada a conservar a diversidade biológica da área e também é isenta de pagar alguns tributos. Antes disso, ela teve de provar que conserva a fazenda - o que também é objeto de investigação pela polícia.

“A caça às onças e a outros animais acontecia há aproximadamente 15 anos”, afirmou o delegado federal Alexandre do Nascimento, responsável pelo inquérito instaurado para cuidar do caso.

O Ibama multou Beatriz em R$ 105 mil. Ela teve dois agravantes: um deles, o fato de a fazenda ser uma unidade de conservação. O segundo, por se tratar de abate de animais silvestres para fins turísticos.

De acordo com o delegado, “a finalidade dos safáris era matar as onças pintadas. O couro é considerado o grande troféu dos caçadores. Mas nem sempre conseguiam abatê-la. Quando isso acontecia, os caçadores matavam outros animais por pura diversão”, afirma Alexandre.

As expedições

As expedições duravam cerca de uma semana e eram formadas por grupos de, geralmente, oito pessoas. A maioria era de turistas estrangeiros vindos dos Estados Unidos e da Europa. O anúncio dos safáris era feito via internet.

No video acima , um grupo de turistas acompanhado pelo caçador de onças Antônio Teodoro Melo e por Beatriz vão em busca de uma onça parda no topo de uma árvore. Em seguida, eles atiram. O animal cai morto. Na sequência, eles cercam uma onça pintada. Depois de receber um tiro, ela cai e agoniza. Um caçador então efetua mais um disparo à queima-roupa, na cabeça do animal, que morre.

De acordo com o delegado, todas as pessoas que aparecem no vídeo podem responder por pelo menos quatro crimes: contra a fauna brasileira, posse de arma de uso restrito, formação de quadrilha e tráfico internacional de armamentos.

A caçada começou a ser desarticulada com a operação Jaguar 2. Na fazenda, os policiais federais encontraram e apreenderam 12 galhadas de cervo, dois crânios de onça, uma mandíbula de porco monteiro, uma pele de sucuri com 3,5 metros, cinco revólveres calibre 38, uma pistola 357 (de uso restrito), uma carabina, dois fuzis, 17 caixas de munições de diversos calibres, dois alforjes (bolsas usadas durante a caça) e dois tubos de turro, que quando soprados emitem um som para atrair onças.

terça-feira, 12 de julho de 2011

PESCARIA OU TURISMO SEXUAL ?




Brasil e Estados Unidos investigam uma empresa de turismo norte-americana que organizou excursões pesqueiras na Amazônia. De acordo com o jornal The New York Times, a Wet-A-Line Tours é suspeita de explorar o turismo sexual no Brasil. Uma parceira da empresa, a Santana Ecofish Safári, que organizava passeios em Manaus, também estaria sendo processada.

A Polícia Federal brasileira aponta que pelo menos 15 meninas foram vítimas de estupro e aliciamento nas viagens promovidas nos iates das empresas. De acordo com o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Sérgio Fontes, o pacote incluiria o turismo sexual entre as atrações.

As primeiras denúncias surgiram em 2000, quando indígenas entre 9 e 17 anos denunciaram à Funai abusos nos passeios organizados pelas duas empresas. Os passeios ocorriam em barcos de luxo às margens do rio Negro. As companhias ofereciam pacotes para turismo sexual camuflados de passeios de pesca. Pelas denúncias,funcionários da agência intermediavam os encontros entre as indígenas e os estrangeiros. Nas embarcações, as adolescentes eram drogadas e abusadas.
O grupo de ativismo feminino Equality Now, dos Estados Unidos, publicou em seu site que a ação judicial nos EUA foi aberta após denúncia de quatro meninas de origem indígena, todas menores de idade. Segundo a Equality Now, as moças disseram ter sido obrigadas a fazer sexo, ingerir bebida alcoólica e usar drogas.

O proprietário da Wet-A-Line Tours, Richard Schair, nega as acusações e rechaça qualquer envolvimento com prostituição infantil, segundo o jornal The New York Times. O empresário norte-americano tenta suspender o processo que corre em seu país. Já os advogados dos réus brasileiros não foram localizados.

Ciente do caso, a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes (PT-ES), disse que irá trabalhar para impedir o arquivamento do processo contra as empresas.

A ministra garantiu que hoje buscará mais informações sobre o caso no Ministério Público e na Policia Federal. “Esse processo não pode ser arquivado. Seria um prejuízo grande e um brinde à impunidade”, afirmou. Segundo Iriny, só após a análise da situação do processo será decidida a possível criação de uma comissão para ir à Amazônia. (Das agências de notícias)


As investigações apontam que os iates luxuosos usados pelas empresas acusadas eram camuflados de barcos para pesca esportiva. Neles, turistas abusariam de meninas menores de idade, segundo a Polícia Federal.